quarta-feira, 4 de junho de 2014

Isabella

 -E onde diabos eu encontraria um cameraman como Gustavo?

 Isabella estava furiosa, seus cabelos ruivos estavam mais vermelhos que o costume, afinal, acabara de perder seu melhor e único parceiro. Isabella sempre foi conhecida por conseguir as melhores reportagens nos lugares mais e menos exoticos conhecidos, ela fareja o perigo e corre atrás dele. Tais talentos são perigosos demais. Dois cameramans, três fotógrafos e alguns estagiários, ou se feriram ou morreram por trabalhar com Isabella Burlife.

 -Maldição, ele não me falou nada - Dizia Isabella ao celular, conversando com seu chefe Will B, mas conhecido como B - você precisa me ajudar B, soube de um assassino em série, fica em uma fazenda um pouco distante, e...

 -Já sei, já sei - B respondia rapidamente, tão rapidamente que era difícil acompanhar, mas Isabella já sabia que B odiava pessoas que perguntam quando não entendem - tem um coreano que arranjei, sabe como é, esse povo aguenta tudo, faz tudo, são tudo kamikaze

 -Mas os kamikazes não eram japoneses?

-Que diferença faz? tudo tem olho puxado e pés pequenos, enfim, dei o endereço do seu apartamento pra ele, ele vai estar lá as 14:00

-As 14:00 horas? mas já são 17:00

-Bom, melhor se apressar

 Isabella rapidamente desliga o celular e corre na frente de um táxi, por pouco não é atropelada, da um sinal pra ele, e logo entra no carro. O táxi cheirava a perfume barato e o banco estava cheio de marcas. Isabella tinha talento pra saber o que aconteceu nos lugares, sua percepção para o mundo era totalmente acima da média. Com seu talento ela sabia dizer que o taxista esteve bêbado no dia anterior, pela marca no dedo anelar soube dizer que é casado, porém teve uma briga com a esposa por ter bebido e foi expulso de casa. Pela roupa amarrotada e pelo cheiro do carro, acabou ficando com alguma prostituta barata e esta desde então no carro.

 New York é um lugar engraçado. O taxista perguntava para onde gostaria de ir. Ela responde. Alguns minutos depois alguém liga para o homem.

-Alo. Querida! não, não, a culpa foi minha. Tudo bem, vamos conversar hoje. Você esta bem?. Sim, sim, estou ótimo. Estou no trabalho. Te vejo de noite.

 A repórter fica feliz por ter acertado o palpite. Ao chegar na frente do seu prédio ela paga o taxista um pouco a mais, da uma pausa antes de sair do carro.

-Não esqueça de colocar a aliança novamente, e esse cheiro, ela vai reparar, tome um banho e compre roubas novas, diga que fez especialmente pra ela.

 Ela então sai do carro. O taxista fica sem reação e reflete algumas horas.

 Isabella chega na porta do apartamento onde olha um Japonês em sua porta. Preferia que fosse Coreano, são melhores no trabalho, pensou Isabella

 -Ola, desculpe a demora - Mas ele esperou esse tempo todo, talvez os japoneses trabalhem melhor - sou Isabella, sua nova chefe.

-Prazer senhorita, me chamo Yuri Daisuke, mas pode me chamar de Daisu se for de seu conforto.

 O homem era educado, não era tão baixo pra um japonês, aparentava ter braços fortes, cabelos lisos e comportados para trás, estava usando terno e gravata, segurava uma mala prata, mas o que realmente chamava atenção era seu tênis esportivo.

-Tênis bonito

-Obrigado

-Vamos, entre, você deve estar cansado - Isabella abre a porta do apartamento, estava usando um vestido longo e apertado, um salto alto que machucava seus pés em cada andar e um sutiã que levantava demais seus seios - Fique a vontade, tem um banheiro naquela porta - Isabella apontava - tem fome? cede?

-Obrigado, senhorita, estou bem.

 Isabella, se troca rapidamente no banheiro pra uma roupa mais confortável. Vestia uma bermuda azul, uma camisa preta com nome de alguma banda de rock. Não teve tempo para tirar maquiagem, mas estava bem mais a vontade.

-Você... então é Japonês

-Bem reparado, estou apenas dois anos aqui no seu pais, vim para fotografar, acabei recebendo proposta do Senhor B.

-Já ouviu falar de mim, suponho - Isabella sentava ao lado de Daisu com uma distancia profissional.

-Sim, preciso do dinheiro, risco não importar.

-Ótimo, então acho melhor você reconsiderar e comer algo. Aproposito, você precisa pegar sua câmera.

-Já tenho aqui.

 Daisu abre a mala, e habilmente monta a câmera. Limpa, bonita pros olhos, tecnologia de ponta, lentes de longa distancia, equipamentos que Isabella nunca viu durante seus quatro anos como profissional.

 -Então, acho que é melhor comer algo e se preparar temos uma viagem de quatros horas pela frente - Dizia Isabella não escondendo a surpresa ao ver a câmera

 -Para onde vamos?

 -Uma fazenda, teve casos de assassinatos ou desaparecimento por lá. Sinto que tem algo, um estouro. Talvez fiquemos alguns dias lá, pegue roupa, comida, água, espero que saiba dirigir.

 -Sim, eu sei. Fui piloto no Japão.

 -Perfeito, te encontro aqui em trinta minutos, não se atrase.

 Vinte minutos depois Daisu volta, Isabella já havia feito sua mochila.

-Demorou, na próxima venha mais rápido. Segura minha mochila

 Uma mochila pesada. Isabella e Daisu vão ate o estacionamento. O carro de Daisu era simples, ao entrar tinha cheiro de novo, porém o tapete do carro entregava o tempo cronológico, Daisu parecia ser organizado com tudo, Isabella gostava daquilo.

 Durante a viagem, Daisu reparou que havia uma pergunta a ser feita.

-E se tiver um assassino e ele nos pegar?

-Se isso acontecer - Isabella encostava no canto do carro - a gente morre.












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