sexta-feira, 30 de maio de 2014

Richard

 Uma longa viagem ate uma fazenda localizada em lugar nenhum, Richard ria em seu pensamento. A viagem era longa, seu carro estava quase sem gasolina e não havia sinal de posto de gasolina ou ate mesmo sinal de celular.

 -Maldição, onde diabos é isso? - Richard falava para si mesmo.

 Algumas horas se foram e o carro parou, por sorte Richard avistou a entrada de uma fazenda, finalmente. Empurrou o carro ate o portão de madeira da fazenda. Pegou um papel de dentro do bolso, comparou com o endereço descrito no portão.

 -Poderiam escrever na porta "bem vindos ao inferno"

 Richard arrumava seu terno e grava, colocava sua pistola no bolso e adentrava a fazenda. Seus olhos verdes brilhavam assim como o sol naquela tarde, barba feita e cabelos loiros, sempre curtos. Seu queixo quadrado dava uma falsa impressão de sagacidade, mas seu rosto em si demonstrava sono constante.

 Andava pela fazenda. Depois de alguns minutos caminhando reto, observou uma casa grande, devia ter três andares. Era uma casa velha, janelas quebradas logo na entrada, um pouco de coco de cavalo aqui e acola, havia algumas crianças brincando pelas redondezas. Ao se aproximar as crianças entram na casa correndo.

 Ao chegar alguns passos da porta, viu que tinha quatro degraus grandes para entrada da porta, uma gota de sangue seco no chão chamou sua atenção. Quando olhou para frente viu um velho, barba branca que descia ate o peito, um homem pequeno, porém demonstrava virilidade segurando sua escopeta.

-Quem tu é, rapaz? - O velho falava tranquilamente enquanto mirava no peito de Richard.

 -Falaram que o senhor faria isso quando eu chegasse, Joseph, certo? - Richard, já precavido, mostrava os papeis que segurava o tempo todo para Joseph, também mostrava seus documentos - sou o Detetive Richard, o senhor havia ligado falando de invasores na sua propriedade.

  Joseph abaixa a arma colocando acima do interior da porta e fala:

-Só estranhei, não chamarem a policia local,  achava eu que o xerife iria resolver tudo

 Pelo sotaque e erros na linguagem, o homem não deve ter tido estudo, ou não era americano, o detetive então responde:

-O xerife desapareceu, pelos nossos registros, muitas pessoas andam sumindo por essas areas, mas não tem cameras, nem cidades próximas, então me mandaram para investigar por aqui. O xerife nos mandou uns registros antes de desaparecer, ele dizia que havia a construção de uma fabrica estranha em sua propriedade. O que o senhor sabe sobre isso? quanto tempo vive aqui?

-Eu to aqui há três anos, eu vivia no Mexico antes, mas meu filho morreu, e a mulher dele também, eu tinha deixado a fazenda pra eles, vivia só dos bois e das vacas, meu filho sempre me dava dinheiro pelo banco. Sou velho, como o senhor ta assistindo - O velho dava uma risada mostrando os poucos dentes que ainda tem - claro, antes desses três anos eu vivi uma vida por essas bancas. Não sei nada de fabrica não, senhor. Eu vejo uns vandalos por aqui, dou chumbo pra eles sair da minhas propriedades e eles somem como o vento.

 O detetive anota alguns detalhes que o velho fala e logo é convidado a entrar, investiga alguns detalhes dentro da casa. Não observa nada de errado em todos os três andares. Erick era o filho de Joseph, e a mulher de Erick se chamava Janna, no quarto deles também não havia nada de estranho, ate mesmo no diario de Erick tudo parecia normal. Porém ele notou algo que chamou sua atenção também, em um trecho que Erick falava:

 "Hoje é mais um dia comum na fazenda, minha filha vai fazer quatro aninhos... eu estou feliz, sim, muito. Mas tenho tido estranhos sentimentos, parece que a algo de macabro nessa fazenda, não sei dizer o que é..."

 E depois Erick só escrevia sobre seus tediosos dias.

 Richard então olhou a hora, já eram 22:00.

-Bom, realmente, a possibilidade desse Senhor ter feito algo é pequena - falava com si mesmo - Há quatro crianças na casa, a mais velha tem dezoito. Ela pode ter feito algo, não sei, preciso interroga-la também e as outras crianças, sim, isso.

 Depois de falar consigo mesmo, anotou algumas coisas em seu caderno. Joseph lhe ofereceu um quarto, e comida. As 22:30 Richard se juntou a família para o jantar. Deixou seu caderno em uma mesa pequena e sentou em uma cadeira de madeira junto dos outros.

 -Senhor Richard é detetive crianças. Detive, esses são meus netos. A menorzinha é a Julie, o rapaz forte é Clark, o outro fortão é o Antonny, mas chamamos ele de Tonny, e a...

-Luiza - Falava em tom de nervosismo - não sou mais criança, vô, posso responder por mim mesma.

 Luiza era bonita, longos cabelos ruivos, olhos verdes e um corpo avantajado. Richard não se atrevia a olha-la demais. Luiza então se levanta e vai para algum lugar.

-Não se preocupa, ela volta. Meninas são difíceis.

 Algumas rizadas são dadas, e eles começam a comer. Luiza volta com o caderno de Richard na mão.

-Luiza, não pegue as coisas dos outros, que feio - Joseph repreendia a neta

-Não se preocupe, o caderno não é segredo, eu anoto pontos cruciais para lembrar com mais facilidade.

-Isso é japonês? - Perguntava Luiza fazendo uma careta

-Koreano com Japonês - Respondia Richard - não posso dar o luxo de deixar que os outros saibam com facilidade o que eu penso, alguns detalhes são melhores apenas pra mim.

 Richard era detetive especialista em linguas, toda sua vida estudou idiomas, ate alguns antigos e considerados perdidos.

-Incrivel, poderia me ensinar um pouco sobre essas... Linguas - Luiza falava lentamente olhando para Richard fixamente

 Logo Joseph faz um barulho com a garganta, Richard então acorda de seu sonho momentaneo. Essa menina é problema.

 Depois do jantar, Richard foi para o lado de fora da fazenda, viu novamente o sangue seco na escada. Dava uma volta pela redondeza da casa com uma lanterna na mão. De repente viu uma sombra passando pela plantação de milho. Correu na mesma direção.

-Parado ai!

 Depois de uma corrida conseguiu alcançar um jovem, tinha uns dezesseis anos, o rapaz estava com um rosto apavorado.

-ELE VAI ME MATAR!

-Quem vai te matar?

 O jovem cheirava a álcool. Um dos vagabundos que o velho falava. Richard estava em cima do rapaz, quando sentiu algo vindo em sua direção. Rapidamente saiu de cima do jovem.

-O que é isso?

 O jovem corria desesperadamente quando teve chance, Richard trocou sua atenção para o outro estranho correndo em sua direção. Rapidamente sacou sua pistola.

-Parado ai.

 Ele não parava, era rapido, feroz, não era humano. Logo Richard atirava, gastou toda munição atirando em linha reta e o barulho parou. Seja o que for que o seguia, caiu.

 Richard vagarosamente andava na direção da criatura abatida, carregando a pistola, suas mãos tremiam e seu coração batia rápido demais. Quando chegou mais perto viu um tipo de porco gigante, não havia sangue em seu corpo, mas estava caído. Usava uma roupa preta, parecia ser um tipo de armadura medieval. Na parte inferior do corpo usava um aço temperado com couro. As pernas eram grandes, se assemelhava com de um canguru, porém maior. Braços musculosos e grandes. No peito havia um protetor de couro. O tamanho da criatura era quatro metros ou mais.

 Richard então apontava a arma novamente para ter certeza que a criatura morreria, porém sua mão foi velozmente esmagada, quando deu conta por si mesmo a criatura estava de olhos aberto.

 -Comida! - A criatura gritava - sexo!

 Richard saca outra pistola e atira nos olhos da criatura que o solta e começa a cambalear sem rumo, a criatura não morreu, porém estava cega, ela xingava e falava uma lingua estranha, porém Richard conhecia. Ate conseguiria traduzir se sua mão não tivesse esmagada e sua dor fosse agonizante.

 Richard estava no chão, mesmo com a dor ele não gritava. A criatura para de cambalear e começa a farejar. Richard nunca sentiu tanto medo e descrença. O monstro falava:

 -Antes de te matar, vou te foder.

 Ele estava farejando Richard.

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