Uma caveira com uma foice na mão anda em direção ao nada como se estivesse falando com alguém.
-Me tornei o que me tornei, apenas porquê tive que me tornar. Esse futuro tão incerto. onde estou afinal? quem eu era antes disso tudo? eu era algo?
A caveira da um salto, surgindo no exterior de um castelo. Havia chuva, porém não havia água, a imagem de tudo era preto e branco e distorcido. Repentinamente a caveira vai adquirindo forma e parece ser um homem velho, com uma bengala na mão, respectivamente, a chuva para e as coisas ganham cores. Céu. Árvores. Tudo.
Parece um entardecer comum. O velho se aproxima do castelo, suas vestes eram iguais de quando tinha uma forma menos vivida, uma enorme capa negra com um simbolo de uma cruz no peito. Ao se aproximar do castelo um homem de armadura olha de relance para o velho e logo em seguida fala em voz alta;
-Abram os portões para o Sacerdote!
Então gigantes portões de metal abriram e o velho entrou. Subindo uma longa escada ate o topo, chegava aos aposentos do Rei, um homem amargo e inquieto chamado Richard, O primeiro do seu nome.
-Sacerdote - o Rei cumprimenta o velho, pegando em suas mãos e beijando-as - sua benção.
-Que os Deuses te abençoe, jovem Rei. Creio que estamos em tempos difíceis, esse inverno foi duro com todos nós - O velho colocava as duas mãos enluvadas no peito de Richard - precisamos ser fleumáticos nessa época tão difícil. É impossível manter-se sempre pueril, mas os Deuses estão sempre nos observando, nos testando e esperando que depois de tudo aguentemos e assim... Possamos ser recompensados.
-Sacerdote, é sempre bom ouvir suas palavras de consolo. Amanha teremos guerra, preciso de todo o poder divino para vencer.
-Você já o tem, em nome de todos os Deuses do mar e da terra, do fogo e da água e de todos os espíritos, Theikós, Thánatos.
-Theikós, Thánatos- Responde o Rei.
Algum tempo passou, alguns dias se foram. O velho homem se encontrava parado no mesmo lugar desde então. Sua bengala vira uma foice, que o velho bate com força no chão. Uma estranha chuva cai no lado de fora do castelo e todas as coisas perdem a cor e ao seu lado tem um homem que aparenta ser meia vida mais novo.
O homem usava vestimentas idênticas a do velho, em suas costas havia um arco e flecha.
-Ainda passando um tempo com esses insetos? - dizia o homem - nunca entenderei porquê perder tempo com essa escoria.
-Somos parecidos com os humanos, Aemon - o velho respondia com calma - não esqueça nossa origem
-Não esqueço, só não somos mais o que já fomos - Aemon materializa um flecha em sua mão esquerda - se bem que as armas deles são interessantes, eu matei um Carnival vindo pra cá, achei estranho, eles estão parando de aparecer.
-Vamos aproveitar a paz, mas acredito que tenha algo de muito errado - o velho começava a andar. O castelo desaparecia e aparentemente o lugar ficava mais escuro, apenas Aemon continuava no lugar - veja bem, estamos aqui. Não há criaturas querendo se alimentar de nossa aura, não há Carnivais. Sinto presença de Anjos e Demônios, mas não sinto a presença de mais nada.
O silencio dominava o lugar.
-Seja o que for, se algo aparecer, precisamos apenas matar, somos cinco - Aemon sorria tranquilamente enquanto falava e andava pelo abismo negro do lugar onde estavam - somos Deuses da Morte, você se preocupa demais, Caim.
Caim bate com a foice no chão e a escuridão começa ganhar cores vermelhas, Aemon parece surpreso.
-O que diabos aconteceu com esse plano? - Aemon perguntava um tanto eufórico
-Isso já esta acontecendo a algum tempo, ele deve estar agindo vagarosamente, precisamos ter cautela.
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